Cedo ou tarde esta lógica perversa será questionada pelo próprio mercado, por que o consumidor-cidadão-eleitor irá diferenciar as empresas pela sua prática e não pelo seu discurso. Se o consumo é uma relação de confiança então devemos apenas consumir produtos e serviços das empresas que efetivamente demonstrarem que são socialmente responsáveis e que valorizam a sociedade que as sustenta e viabiliza os seus negócios.
O mero discurso socialmente correto é apenas mais tipo de propaganda enganosa, que sempre é desmascarada com o tempo. Às empresas cabe ter uma prática compatível e cabe á sociedade civil cobrar e fiscalizar que a tal responsabilidade social seja verdadeira.
A Responsabilidade Social é o "marketing social" do momento. Temos a razão de que tudo não passa do mais puro jogo de palavras. Infelizmente, vai ser muito difícil a sociedade fiscalizar quem realmente investe na comunidade. Esse assunto parece fora do tópico, mas na verdade é o cerne da questão. Uma empresa que sonega impostos (como a grande maioria, e o fazem porque se não o fizerem não sobrevivem) acaba declarando um faturamento muito menor que o real e a sua ajuda social tem que ser proporcional ao faturamento declarado. Outro fator a ser considerado é que a economia brasileira é selvagem, instável. As empresas se preocupam primeiramente em se defender. Quantas empresas hoje tem a saúde financeira de ter lucro e ainda prestar boa ajuda social? Finalmente, as empresas são organizações que agem sempre em benefício próprio, mesmo quando estão fazendo caridade. Temos que pensar em meios de retorno concreto às empresas que investem em ajuda social. Só assim aumentaremos sua participação. Creio que a exposição em mídia ou a fidelização do público aos produtos de empresas socialmente responsáveis são uns dos caminhos viáveis para a questão.
O termo "responsabilidade social" encerra sempre a idéia de prestação de contas: alguém deve justificar a própria atuação perante outrem. Durante muito tempo, este foi entendido, em uma visão tradicional, como sendo a obrigação do administrador de prestar contas dos bens recebidos por ele. Ou seja, economicamente, a empresa é vista como uma entidade instituída pelos investidores e acionistas, com objetivo único de gerar lucros.
Entretanto, tal perspectiva não se aplica no mundo contemporâneo. Já se sabe que a empresa não se resume exclusivamente no capital, e que sem os recursos naturais (matéria-prima) e as pessoas (conhecimento e mão-de-obra), ela não gera riquezas, não satisfaz às necessidades humanas, não proporciona o progresso e não melhora a qualidade de vida. Por isso, afirma-se que a empresa está inserida em um ambiente social. Relaciona-se com as demais instituições e com diversos públicos.
A questão da participação das empresas privadas na solução de necessidades públicas está nas pautas das discussões atuais. Embora alguns defendam que a responsabilidade das empresas privadas na área pública limita-se ao pagamento de impostos e ao cumprimento das leis, crescem os argumentos de que seu papel não pode ficar restrito a isso, até por uma questão de sobrevivência das próprias empresas.
Outro argumento é o fato de que adotar posturas éticas e compromissos sociais com a comunidade pode ser um diferencial competitivo e um indicador de rentabilidade e sustentabilidade no longo prazo. A idéia é de que os consumidores passam a valorizar comportamentos nesse sentido e a preferir produtos de empresas identificadas como éticas, "cidadãs" ou "solidárias".
Para Idalberto Chiavenato (1999, p.447), "(...) entre uma empresa que assume uma postura de integração social e contribuição para a sociedade e outra voltada para si própria e ignorando o resto, a tendência do consumidor é ficar com a primeira."
Demonstrar comprometimento social deixou de ter uma conotação puramente filantrópica e ganhou dimensão estratégica para as empresas, uma espécie de garantia de sucesso econômico no longo prazo. Atualmente, uma das condições para a empresa obter lucro e ser competitiva é relacionar sua marca a conceitos e valores éticos. Afinal, para conquistar o consumidor, que exerce com mais consciência a sua cidadania, as companhias precisam comprovar que adotam uma postura correta, tanto na relação com funcionários, consumidores, fornecedores e clientes, como no que diz respeito às leis, aos direitos humanos e ao meio-ambiente.
O grande foco atual, independente das adversidades, é a construção de uma nação sem excluídos. Talvez este foco seja utópico, entretanto, é imperativo que a distância entre o Brasil rico e o Brasil desigual diminua. O fato dos órgãos governamentais não atenderem aos anseios da sociedade abre um importante espaço para a formação de parcerias entre o governo e as empresas privadas no intuito de assumir e implementar ações de responsabilidade social.
As enormes carências e desigualdades sociais existentes em nosso país dão à responsabilidade social empresarial relevância ainda maior. A sociedade brasileira espera que as empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento: sejam agentes de uma nova cultura, sejam atores de mudança social e sejam também construtores de uma sociedade melhor, e não apenas farsantes de uma mera propaganda na mídia como destaque para seus produtos e serviços,
a responsabilidade tem que ser cumprida e cabe á nós cidadãos questioná-los.By Nívia Noronha *Nina*
5 comentários:
Concordo plenamente com você,
adoro seus textos desde os spaces
e vc é uma pessoa de expressões fascinantes. Parabéns pela sua visão realista, pois responsabilidade social é um dever de todos. Beijinhos.
Lis@ Camargo.
pow blz! vc é muito foda! alem de linda (espero que esta na foto seja vc), é muito inteligente.
obrigado por ter visto o meu blog.
podemos manter contatos.
bjus!
Vc tem otimos pensamentos alem de ser muito linda....
continue assimmm
xero
ricardo rangels
Nivia, parabéns.
Você descreve o retrato infeliz de organizações e outras entidades nacinais. Felizmente existem bons projetos e com pessoas capacitadas, fazendo e acontecendo sem precisar de MKT ou Propaganda.
Parabéns
Abraço
Altemir C.Farinhas
www.equilibriofinanceiro.com.br
Texto mto bem colocado, concordo com suas idéias e confirmo também o importante papel do cidadão neste contexto como um agente fiscalizador das politicas públicas e sociais onde está inserido! Afinal tudo isso reflete em uma sociedade mas justa e igualitária que busca sempre aprimorar seu espaço como cidadão de direitos!
Bjos
Susi
Assistente Social
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